Opinião

Força, Chape! Força, Brasil!

Não há como não falar. Não apenas o Brasil ou tampouco o futebol. O esporte, esse sim, há uma semana chora junto com Chapecó (SC). Um luto que vai demorar para passar. Homenagens inesquecíveis, momentos tristes, mas que nos colocam mais uma vez a pensar. E que possamos de fato aprender e honrar todos os heróis dessa tragédia.

Esse episódio não expôs ao mundo apenas um acidente com atletas, dirigentes e integrantes da imprensa brasileira. Essa tragédia permitiu ao Brasil e ao mundo conhecer um pouco mais a Chapecoense, e especialmente um modo vitorioso de se fazer gestão dentro de um esporte que sofre com uma parcela de corrupção, dívidas e muita política.

O profissionalismo, a transparência e outras práticas de governança aplicadas pelos líderes do clube, permitiu um crescimento exponencial e sustentável da Chape, modelo, com certeza, a ser seguido. A vida continua. Um pouco mais triste, sem brilho, mas continua. E por conta dessa continuidade, muitas questões devem ser resolvidas, especialmente na esfera jurídica.

Os próximos passos serão difíceis, não apenas para a Chape, mas para todos os familiares e até mesmo para o esporte de Santa Catarina, que deverá sofrer um grande retrocesso. Grandes pilares da gestão do esporte no Estado também faleceram no acidente. Em meio à burocracia, inventários, indenizações, acionamento de seguros, questões trabalhistas, todos terão que ter uma reserva extra de energias para lidar com as situações. Haja força.

É um momento difícil não apenas para a Chapecoense, ou mesmo para demais clubes, mas também para dirigentes, árbitros, procuradores do STJD e todos os auditores e juízes que terão que tomar decisões. Fazer uma denúncia nesse momento poderia parecer até mesmo desumano! Estar diante de decisões que podem prejudicar ou beneficiar uns ou outros, não é uma tarefa fácil, especialmente se considerarmos que todos lutam diariamente e incessantemente para defender sua história, seus resultados, seu espaço, seus valores.

Uma decisão nesse momento, não justificada de forma legal – em termos de lei – poderá gerar até mesmo precedentes prejudiciais para futuras competições e times de todo o Brasil. Ninguém gostaria de estar ali. Ninguém gostaria de ter que tomar decisões nesse momento. Seja para denunciar, julgar, anular, adiar, perder, ganhar, subir, rebaixar, ceder, enfim… Mais fácil seria se algumas decisões não precisassem ser tomadas, mas, infelizmente, elas precisam. Dessa forma, e olhando para os que terão essa árdua missão, de analisar e rever leis e regulamentos, só nos resta esperar bom senso. Bom senso, justiça e regras, por certo podem caminhar juntos.

Mas, se por algum momento as decisões puderem parecer um pouco desumanas ou sem qualquer pitada de solidariedade, se coloquem por um minuto nesse lugar. O direito e as decisões muitas vezes precisam de mais razão do que emoção e, equilibrar isso, sendo humanos, diante do contexto, verificando as regras, a justiça e o bom senso, por certo será uma tarefa extremamente difícil para todos os envolvidos.

Cada um, nesse momento, fará o melhor que puder. Dentro das capacidades que tiver. Assim, que possamos então ser pacientes, solidários e tolerantes tanto com a Chapecoense como com todos envolvidos com o esporte brasileiro. Com certeza iremos precisar.

Fernanda Bini é advogada, especialista em direito desportivo e colunista do portal LÍDER

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