Opinião

Falta de apetite

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes/Orientec

“Não guerreamos”, disse Cléber Gaúcho instantes após a derrota do XV de Piracicaba em Penápolis. O placar não foi inaceitável. A verdade é que 2×0 ficou barato pelo que aconteceu em campo. Não é nenhum absurdo perder no estádio Tenente Carriço. O Penapolense é uma equipe bem arrumada, está na briga pelo acesso. Resumindo: é melhor que o XV. O que não é normal é a falta de padrão de jogo após nove rodadas. O que não é aceitável é a falta de atitude de uma equipe que vê a zona de rebaixamento pelo retrovisor.

O elenco é ruim? Não vejo o XV de Piracicaba abaixo do nível médio da competição – não é para subir e não é para cair. Há quem diga que o problema é a falta do camisa 10. A contratação do tal meia de ligação poderia ajudar, mas resolveria apenas parcialmente o problema de estrutura tática. O XV na Série A2 decepciona pelo argumento que foi elogiado na Copa Paulista: a organização. Cléber Gaúcho peca pela insistência na fórmula errada. A diretoria pecou na manutenção de jogadores como Gilsinho ou Samoel Pizzi e ao não trazer reforços suficientes. Há incógnitas como o lateral Cléber, frequentador assíduo do departamento médico.

A limitação é evidente, como também é evidente que qualquer equipe com o mínimo de qualidade e organização pode brigar lá em cima na Série A2 do Campeonato Paulista. Nenhum time é exageradamente melhor que os outros e isso explica a briga acirrada na classificação geral – a diferença entre o G4 e a zona de rebaixamento é de seis pontos. O problema maior é quando a limitação está acompanhada pela falta de apetite e pela teimosia. Neste caso, há motivos de sobra para se preocupar com a possibilidade de voltar ao inferno na Série A3.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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