Muay Thai

‘Estamos em fase de transição’, diz treinador

Para Frederico Molina, interior paulista precisa copiar exemplo da Baixada

Frederico Molina, treinador de muay thai da academia Extreme Fight
Frederico Molina, treinador de muay thai da academia piracicabana Extreme Fight (Foto: Líder Esportes)

Defensor do muay thai tradicional, Frederico Molina, técnico da equipe piracicabana Extreme Fight Sithinthong, disse nesta terça-feira (31) que a modalidade está em fase de transição no interior paulista. De acordo com o treinador, Piracicaba precisa se espelhar no exemplo dado pelas academias da Baixada Santista, onde, segundo ele, são realizada as competições mais bem sucedidas do país. Molina também chamou a atenção para o papel do técnico na formação do atleta. “Quando comecei, existia mais amor pelo esporte”. Confira a entrevista:

LÍDER: Como você enxerga o muay thai no interior paulista?
Bem difundido. Americana, Araraquara, Campinas, Piracicaba…  A região próxima de São Paulo está muito bem, o muay thai evoluiu demais, estamos sempre trazendo novos seminários para os alunos e atletas, cursos de aprendizados para evolução, principalmente o muay thai tradicional originário da Tailândia. Com relação ao Brasil, hoje, sem dúvidas, o muay thai mais evoluído que está passos à frente é o da Baixada Santista, depois tem o pessoal de São Paulo que está no mesmo ritmo, são pessoas que anos atrás estavam indo para Tailândia vivenciar a cultura. Não foram atrás do dinheiro, foram atrás do amor pelo esporte, pelo respeito que eles têm.

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LÍDER: O que falta no muay thai do interior para nivelar com o da Baixada Santista?
Falta copiar a receita deles, fazer investimento. Viajar para Tailândia por um mês para treinar custa 1.200 dólares (R$ 4.300), envolve todo um planejamento, de um a dois anos. É uma viagem onerosa, um investimento na carreira para aplicar tudo aquilo que foi estudado na Tailândia. Tenho acompanhado grandes eventos, portuários de Santos (Portuários Stadium), duas semanas atrás acompanhei o evento Epic Brasil, foi um show e assisti a final do GP categoria 65 kg. O nível de competição é muito alto, não houve problemas de arbitragem, um evento que dá gosto de ver.

LÍDER: Qual deve ser o papel do treinador no muay thai?
Como treinador, gosto de treinar pessoas que querem ser campeãs, pessoas empenhadas, mas o cara tem que ser campeão na vida também. Subir no ringue só não adianta, tem que ser campeão no dia a dia. O meu objetivo é ajudar a pessoa a terem valores, caráter e que vai agregar para a sociedade. Não gosto de gente que vem só para esculhambar. Trabalho com o muay thai original. Eu ainda tive que recuar, pois fui criado em uma escola que, na época, sinto que ainda faltava algo para completar a formação. Tive a humildade de voltar atrás e voltar a aprender. Eu não vou citar nomes e outras modalidades, porque só vou falar de muay thai, agora, é muita gente competindo outros esportes aqui na cidade e, na segunda-feira, vão vender muay thai. Então, porque a pessoa não vai vender o esporte que ela compete no fim de semana? Eu vejo muitos novos professores que se intitulam mestres, professores, treinadores de muay thai. Eu tenho hoje no total 20 anos entre kickboxing e depois o muay thai, somente depois de 14 anos fui dar aula. Quando comecei, tinha amor pelo esporte, não vejo tantas pessoas com este amor atualmente. O que vejo é uma vaidade.

LÍDER: Então, qual é o futuro que você vê para o muay thai em Piracicaba?
É um esporte que precisa ser lapidado e tem muito a crescer. Vai chegar uma hora em que os verdadeiros vão ficar e quem não é da área, vai sair. Piracicaba está precisando de um grande de evento de muay thai  profissional. Estou falando de evento tradicional, para que o povo possa entender como funciona o esporte e suas regras desde o ramuaii, decoração que a pessoa faz dentro do ringue, reverência ao esporte, precisa tudo isso em Piracicaba para a gente começar a respirar o muay thai verdadeiro. A cidade está ainda em fase de transição neste tipo de luta, precisamos transitar mais com o pessoal da Baixada Santista para termos a humildade de aprender com eles, pois são uma fonte fantástica de experiência. Temos tudo para crescer, basta sermos humilde, correr atrás e treinar muito.

Frederico Molina, treinador de muay thai da academia Extreme Fight

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