Opinião

Esse vício chamado futebol

Acompanho futebol desde os 9 anos, quando pintava as ruas de meu bairro com os amigos durante a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. É a data mais remota em que me recordo de vibrar com esse esporte criado pelos ingleses e aperfeiçoado pelo mundo. Foi amor à primeira vista! E cada vez me encanto mais! Nesta semana, em especial, acompanhei duas partidas que honraram a fama do esporte: o clássico europeu entre Juventus e Barcelona, pela Liga dos Campeões, e o duelo entre Palmeiras e Peñarol, pela Copa Libertadores.

O primeiro, realizado em Turim, na arena do maior clube da Itália, mostrou que, no futebol, ninguém ganha de véspera. É claro que estamos falando de uma Juventus, a papa-títulos da Terra da Bota; não é qualquer equipe. Porém, temos de admitir que, time por time, o Barça é bastante superior tecnicamente. Mas, em campo, não foi isso que se viu. Pelo contrário. A Velha Senhora, virtual campeã italiana da temporada 2016/17, se impôs atuando em casa e contou com o argentino Dybala em um dia (mais um!) de inspiração para acabar com a zaga adversária.

O resultado de 3×0 foi uma aula de futebol da equipe italiana. O placar nos ensina que poderio financeiro e elenco galático não são garantias de vitórias antes do embate dentro das quatro linhas. Na partida de volta, o Barcelona precisa de quatro gols. Sinceramente, duvido. Duvido porque se a Juve tem algo de excelência, essa é a sua zaga, comandada pelo extraordinário Buffon. Mas o Alvinegro de Turim tem de jogar também, senão, “a bola pune”.

Depois do show de Dybala, o sofrimento alviverde. No Allianz Parque lotado, o Palmeiras sofreu, sofreu, mas venceu o Peñarol por 3×2, com o gol da vitória aos 54min da etapa final. Quem não viu o jogo poderia estranhar os nove minutos de acréscimo, mas o tempo recuperado foi ‘culpa’ exclusiva da catimba uruguaia neste verdadeiro teste para cardíaco. São dois exemplos singelos do que o futebol é capaz. Faz de inferiores superiores; proporciona emoções incontidas com um gol em um momento improvável; transforma o choro em riso em segundos. Por isso tudo e muito mais é que somos viciados na bola rolando. E as emoções continuam, porque o show não pode e nem vai acabar!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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