Opinião

Espetáculo? Esqueça. O XV atual é voluntarioso

O XV de Piracicaba não jogou mal contra o Votuporanguense, mas pecou por ansiedade. Criou, precipitou e errou quase sempre que tentou concluir. Exceção feita aos cinco minutos finais do primeiro tempo, o jogo foi equilibrado. Nos cinco minutos finais do primeiro tempo, o Votuporanguense foi melhor e Paulo Josué teve duas bolas para marcar. Na primeira, Lucas Cunha foi persistente após errar o bote no meio-campo e correu para salvar o gol milagrosamente em cima da linha na continuação da jogada. Na segunda, Paulo Josué se embananou com a bola e tentou cavar um pênalti mais falso que nota de R$ 3. Nas duas ocasiões, o XV de Piracicaba errou atrás. É incomum ver qualquer equipe dirigida por Cléber Gaúcho cometer falhas de posicionamento. Ontem, falhou.

No segundo tempo, o jogo esquentou. O Votuporanguense bateu como quis e passou impune; contou com a vista grossa do árbitro Douglas Marques das Flores, que foi mais enérgico com o gandula, expulso, do que com os jogadores. Aos 3min, Rafael Gomes ficaria na cara do gol e acabou acintosamente puxado por Marcelo Godri. O juiz errou ao não mostrar o cartão. Mais tarde, Godri fez falta dura e recebeu o amarelo. Pela lógica, deveria ter sido expulso. O gol que decidiu o resultado foi fruto de um vacilo de Rodrigo. Pênalti bobo e gol de Anderson Cavalo, que só a Justiça é capaz de explicar o que estava fazendo em campo.

Mateus Pasinato, ao meu ver, parece ter recuperado a confiança que andava perdida. Nas três vezes que precisou sair do gol, sua principal dificuldade, foi bem. Foram três também as vezes que Cléber Gaúcho dirigiu o XV. Em todas, chegou às semifinais da Copa Paulista. Nas duas primeiras, bateu na trave. O trabalho agora é melhor do que os dois anteriores. A sensação é de que o grupo atual comprou a ideia do treinador. Há uma sintonia interessante entre os jogadores no vestiário. Não é que os ambientes anteriores fossem ruins, porém, desde 2011 não via esta afinidade parede adentro do Barão da Serra Negra.

A sensação é de que o clube está mais leve – o peso, não se engane, tinha nome e sobrenome. Nada disso significa que o XV de Piracicaba vai avançar à final. Ao torcedor de ocasião, aquele que vai ao estádio apenas em fase final de campeonato e começa a levantar da cadeira aos 40′ do segundo tempo, cabe recordar que o elenco atual é provavelmente o mais barato da história recente do clube. Juntos, salários e encargos dos atletas giram em torno de R$ 45 mil mensais. É incoerente apontar o dedo para o treinador porque o time jogou com o regulamento debaixo do braço. Espetáculo? Esqueça. O XV atual tem a cara do camisa 11, Romarinho. É esforçado e voluntarioso. No futebol, isso pode fazer a diferença. Pode, inclusive, levar um clube desacreditado ao título que amenizaria um ano triste sob qualquer aspecto.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do portal LÍDER

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