Tiro com Arco

Em alta, Piracicaba vira capital do tiro com arco

Cidade recebe competição com arqueiros de Goiás, Paraná e Rio de Janeiro

Fábio Ramos, Rogério Facin e Gibi Fernandes, atletas da Arqueria Piracicaba
A prova deste domingo deve reunir 65 atiradores, 15 deles de Piracicaba (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

“Conheci em uma viagem de férias, quando vi o pessoal praticando. Hoje, não tenho como ficar sem. É o esporte que escolhi para minha vida”. O tiro com arco entrou como uma flecha na vida do marceneiro Fábio Ramos. Neste domingo (26), ele se une ao grupo de 15 atletas que representam Piracicaba na segunda edição do Campeonato Arqueria Piracicaba de Tiro com Arco. O evento está agendado para as 9h30 e tem como sede a Fazenda Santa Cruz da Palmeira – Rodovia Deputado Laércio Cortes (SP-147), Piracicaba-Limeira KM 130.

As flechadas disparadas pelos arqueiros chegam a ultrapassar com facilidade a casa dos 300 km/h

A competição tem a chancela da Field Brasil e integra o Circuito Brasileiro de Outdoor. Estão inscritos 65 atletas, entre eles arqueiros de Goiás, Paraná e Rio de Janeiro, além de outras cidades de São Paulo. A modalidade em disputa é a de caça (hunter): são 28 alvos com distância de tiro variável entre 10 m e 64 m. Cada arqueiro é obrigado a disparar quatro vezes a cada alvo, num total de 112 tiros em que a velocidade ultrapassa a marca de 300 km/h. O objetivo é acertar o centro do alvo. A pontuação máxima de 560 pontos, porém, é extramente difícil de ser alcançada; são inúmeras variáveis que interferem a cada disparo.

“A prova é muito longa e cansativa, são seis ou sete horas de duração. Depende muito de como é o preparo físico de cada um”, contou o consultor Rogério Facin, também representante da Arqueria Piracicaba. O peso varia de acordo com o tipo de cada arco, o que também interfere em termos de precisão. O arco composto, com sistema de cordas e roldanas especiais, pesa cerca de 4 kg, praticamente o dobro do peso de um arco recurvo, que é permitido nos Jogos Olímpicos e possui duas lâminas com reflexo e deflexo. Já o arco tradicional, feito de madeira, é muito mais leve. “Ele exige muita habilidade do arqueiro. É o que nós chamamos de tiro instintivo”, explicou Facin.

Os arcos composto e recurvo podem ainda receber acessórios como mira e estabilizador, que contribuem consideravelmente para a precisão do tiro. A utilização ou não destes acessórios e o tipo de equipamento são os critérios que definem as categorias disputadas na competição, além da divisão por idade e sexo. “Com o tempo, você passa a conhecer melhor os materiais e aprimorar a técnica. É algo relaxante, às vezes perco a noção da hora (risos). Ao mesmo tempo, existe aquela exigência pessoal. Tira todo o estresse”, disse Ramos.

Facin e Ramos fazem parte do grupo de cinco atiradores de Piracicaba que constantemente participam de competições oficiais. Além deles, completam o conjunto Gibi Fernandes, Gustavo Gregório e Isabela Facin. O mais experiente é o soldador Gibi Fernandes, que apesar da coleção de bons resultados, sente na pele a dificuldade de qualquer esporte amador: a falta de apoio. Por mérito próprio, ele figura hoje no top 5 do ranking paulista em três categorias e ficou entre os 16 atletas candidatos às vagas para a Copa do Mundo. Mas…

Fábio Ramos, Rogério Facin e Gibi Fernandes, atletas da Arqueria Piracicaba

Gibi Fernandes, Rogério Facin e Fábio Ramos: Arqueria Piracicaba quer brilhar em casa (Foto: Líder Esportes)

“Não pude disputar a seletiva em Goiânia por falta de apoio, infelizmente. Eu estava entre os 16 classificados que iriam viajar, mas não tive a oportunidade e acabei eliminado. É difícil, mas de qualquer forma tenho o Campeonato Brasileiro da CBTARCO (Confederação Brasileira de Tiro com Arco) no fim do ano e, se eu ficar entre os três primeiros colocados, ganho o direito de receber o incentivo financeiro do governo, que é o Bolsa Atleta”, disse Fernandes. Na prova deste domingo, ele não quer dar chance aos rivais. “Tem a pressão extra pelo fato de competir em casa, em todos os campeonatos nós trazemos algumas medalhas. Aqui, a expectativa não é diferente”.

SERVIÇO

A Arqueria Piracicaba treina às segundas e quartas-feiras no Varejão da Alvorada, às 20h. Não há custo para participar da atividade, porém, é necessário possuir o equipamento. Nos fins de semana, o grupo piracicabano treina no Ginásio de Esportes do Parque Prezotto. “Como em toda modalidade esportiva, você precisa do equipamento básico para disputar: arco e um grupo de seis flechas. O grande empecilho é que a maioria dos equipamentos é importada, o que encarece um pouco. Além disso, o arco é algo que você não tem como ‘testar’, não tem esse acesso”, afirmou Facin. Clique aqui para mais informações sobre a Arqueria Piracicaba.

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