Futebol

‘Elas sempre jogam por amor. Nunca tiraram o pé’

Elenco reduzido, pouca verba e perda de patrocínio: XV se supera no Paulistão

Leandro Silva, técnico da equipe feminina de futebol do XV de Piracicaba
Apesar de todas as dificuldades, Leandro Silva elogiou a sua equipe (Foto: Mauricio Bento/Líder Esportes)

A eliminação nas quartas de final do Campeonato Paulista deixou para o técnico Leandro Silva a amarga sensação de que a equipe poderia ter ido mais longe na competição. Eliminado pelos critérios de desempate para o Centro Olímpico, o XV de Piracicaba volta agora as atenções para a disputa dos Jogos Abertos do Interior, que serão realizados em São Bernardo do Campo no mês que vem. O treinador sabe da importância de trazer um bom resultado do ABC Paulista para dar sequência ao trabalho em 2017.

Além da falta de recursos, o XV perdeu o patrocinador que ajudava o clube com as refeições

“Nós entramos para buscar o título em todas as competições que disputados, pode ser até par ou ímpar. Esperamos ter um bom desempenho, precisamos muito de uma boa classificação para tentar alguma melhoria para o ano que vem”, disse Leandro Silva. Nesta temporada, o XV de Piracicaba trabalhou com número reduzido de atletas e chegou a levar apenas três reservas para jogos do Campeonato Paulista. Além da falta de recursos, o Alvinegro se viu prejudicado pela perda de um patrocinador que ajudava o clube com as refeições.

“O elenco ficou reduzido e a verba não permitiu a contratação de outras atletas, por exemplo. Tudo o que as meninas fazem é por amor ao futebol. Tinha atleta aqui que ganhava R$ 4 mil e veio ganhar R$ 1.300 no XV, mas nunca tirou o pé e lutou até o final”, declaro o técnico. A outra despesa ‘pesada’ para o clube é imposta pela FPF (Federação Paulista de Futebol): nos jogos em Piracicaba, o XV é obrigado a contratar dois médicos; nas partidas fora de casa, é obrigatória a contratação de um profissional para viajar com o elenco.

Ainda assim, Leandro Silva lamenta os detalhes que, segundo ele, eliminaram o Nhô Quim no Paulistão. “Pelas dificuldades que tivemos, fomos bem no campeonato. Muitas coisas tem que ser melhoradas, mas fizemos um bom papel. Infelizmente, perdemos alguns pontos bobos na primeira fase, contra o Guarani e no empate que sofremos em Franca no último minuto. Isso nos tirou da segunda colocação. Poderíamos ter a vantagem de decidir em casa e jogar pelo empate, mas não conseguimos. O Centro Olímpico soube administrar isso e conseguiu a classificação”, disse.

OLIMPÍADAS

Perguntado sobre a exposição do futebol feminino nas Olimpíadas, o técnico do XV de Piracicaba mostrou certa descrença quanto à valorização da modalidade. “A gente torce para que sim. Esperamos que a modalidade cresça no país, pois 90% das atletas da seleção brasileira jogam fora do país. O restante está só treinando como ‘seleção permanente’, nem clube elas representam. O futebol feminino não é valorizado no Brasil. Passam os anos e não vemos melhorias. O Ministério do Esporte precisa se movimentar. A FPF e a CBF deveriam encontrar uma solução, pois os custos são muito altos”, declarou. Sobre a eliminação da seleção brasileira para a Suécia nas semifinais dos Jogos Olímpicos, Silva foi enfático. “É claro que a gente torce, mas o título do futebol feminino para o Brasil poderia omitir muita coisa errada. Não está tudo certo, não”, finalizou.

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