Opinião

Ela não teve culpa!

A nadadora Etiene Medeiros é, sem dúvida, uma das maiores atletas da natação feminina brasileira em todos os tempos. Por isso, lamento muito o doping e o provável veto de seu nome aos Jogos Olímpicos. A pernambucana de 25 anos lutaria com grandes chances por uma medalha da edição do Rio de Janeiro, em agosto. Etiene foi flagrada em exame antidoping realizado dia 8 de maio, fora do período de competições e a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) apenas aguarda a contraprova para encaminhar o resultado à CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), que deverá retirá-la dos Jogos.

Que tristeza! A jovem nadadora brasileira está atualmente entre as 20 melhores do mundo nas provas de 100 m costas, 50 m e 100 m livres. Além de ficar fora do principal evento esportivo do planeta, em seu país, a atleta ficará também sem os R$ 8 mil do Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. O doping de Etiene, logicamente, não se dá por má-fé da atleta. A irregularidade foi constatada na sustância Fenoterol, que faz parte da Lista de Substâncias Proibidas da Wada (sigla em inglês para Agência Mundial Antidopagem). O Fenoterol está contido em um medicamento que a brasileira usava para asma, doença inflamatória das vias aéreas.

Esse é mais um caso no esporte que serve de alerta para todos. Na maioria das vezes, o atleta não tem culpa nenhuma do doping – como claramente é o caso. Os médicos que subscrevem os medicamentos, na minha visão, é que deveriam se atentar para o fato de que são esportistas de alto rendimento e que algumas substâncias poderiam prejudicá-los.

Etiene Medeiros obteve a maior conquista da carreira em 2014, quando sagrou-se campeã mundial em piscina curta em Doha, no Qatar, cravando o recorde mundial dos 50 m costas – 25s67. Na mesma competição, foi ouro ainda no revezamento 4×50 m medley e bronze no revezamento 4×50 m livres.

Em 2015, a pernambucana tornou-se a primeira nadadora brasileira a conquistar ouro na natação em Jogos Pan-americanos ao vencer os 100 m costas em Toronto. A marca de 59s61 lhe rendeu ainda o recorde da competição e o recorde sul-americano. No Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, Etiene tornou-se a primeira mulher brasileira a subir ao pódio em um mundial de piscina longa ao faturar a prata nos 50 m costas com o tempo de 27s26. Por tudo isso, esperamos que o bom senso prevaleça e Etiene seja liberada para os Jogos Olímpico. Do contrário, seria mais uma estrela fora do Rio de Janeiro, assim como Maria Sharapova – também pega no doping. Simplesmente lamentável!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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