Opinião

É possível subir?

*Capa: Marcelo Germano/Jornal de Piracicaba

De concreto, sobre o elenco do XV de Piracicaba, neste momento, só podemos analisar os números, o retrospecto dos atletas nos últimos anos. O material disponível é animador, mas não é garantia de sucesso. Enquanto a bola não rolar, tudo é teoria, de um caminho que acredito ter sido percorrido na direção certa. Se cada torcedor montar o próprio time, ainda vamos perceber que ficará algum bom jogador de fora. Na minha análise, ainda faltam dois jogadores para o time titular: um zagueiro e um meia. Curiosamente, pelo que tenho apurado, são as duas últimas peças que a diretoria busca.

O elenco atual conta com 25 atletas. Com a chegada de mais dois reforços, alguém terá de ser cortado. O nome do zagueiro Lucas Cunha é o mais cotado, pois o atleta ainda não está liberado para exercer as atividades com o grupo, após ter passado por uma cirurgia no ombro. No gol, a briga pela titularidade será boa. Acho que Samuel Pires larga na frente, pois ainda existe uma incógnita com relação à possível transferência de Mateus Pasinato, e Luiz Fernando só se apresentará dia 20 de dezembro.

As laterais estão bem servidas. Na esquerda, só Pedrinho é lateral de ofício. Com a negociação frustrada de Thiago Feltri, acredito que o XV não buscará outro reforço para o setor, pois teria que fazer mais um corte no plantel. Se houver a necessidade de substituir Pedrinho, as opções são Léo Carvalho e Rafael Rosa. A zaga ainda me preocupa um pouco. Vinicius Simon é titular. Na última edição da A2, Doni bateu cabeça com Cunha várias vezes, depois subiu de produção na Copa Paulista. Vi pouco do Hugo e, apenas, durante a Copa Paulista. Fez o simples, não tentou inventar. Não sei como será o comportamento sob pressão, brigando por acesso ou rebaixamento.

De volantes, o Alvinegro também está bem servido. Aliás, a escalação começa com Formigoni e mais dez. Um dos melhores volantes que vi no XV nos últimos dez anos, e, sinceramente, não sei como ainda está no XV. Espero que não caia de produção. Na armação, André Cunha dispensa apresentações, cadencia bem o jogo, enquanto Léo Carvalho dá mais velocidade. O XV precisa de mais um meia.

No ataque, são sete opções. Éverton, Fabinho e Jobinho não foram contratados para ficar no banco. Dificilmente vão perder a posição. Bruninho é boa opção, mas ainda se recupera de lesão no tornozelo, uma entorse com ruptura de três ligamentos, e sai atrás na preparação. Tito é bom jogador, mas precisa soltar mais a bola e fazer o simples. Rafael Gomes cumpre boa função tática, mas ficou devendo em 2017. Maikon Aquino é brigador, porém, tecnicamente é limitado. Pelos números de Éverton, vice-artilheiro da Série A2 com nove gols marcados, não acho que o XV tem um reserva imediato do mesmo nível, a menos que, dentro de campo, com gols, me provem o contrário.

O Alvinegro disputará seis partidas em sua fase de preparação. Tempo para ajustar a equipe titular, dar entrosamento, testar formações táticas. Esse é o grande objetivo. Vale lembrar que se apegar a vitórias em jogos-treinos é pura ilusão. Na preparação para a A2 de 2017, o clube teve 100% de aproveitamento (venceu quatro jogos), mas terminou a competição implorando por um milagre’ Porém, quando se trata de XV, tem que vencer inclusive no cara ou coroa, ou então as cobranças começam mais cedo.

É possível subir para a elite do Campeonato Paulista? Sim. Individualmente, o Alvinegro tem um elenco forte. Coletivamente, as peças precisam encaixar, tem que “dar liga”, parte que cabe ao treinador. É preciso começar bem, vencendo. Se deixar pontos bobos escaparem no início, principalmente dentro de casa, em uma competição curta, será difícil se recuperar.

Marcelo Sá é radialista e jornalista na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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