Futebol

Divergência de ações é interpretativa, diz clube

 Advogado afirma que são três processos já julgados e mais 21 em andamento

Ramon Bisson Ferreira, advogado do XV de Piracicaba
O advogado Ramon Bisson Ferreira vê a divergência como interpretativa (Foto: Arquivo/XV de Piracicaba)

A divergência entre o número de processos que o XV de Piracicaba responde na Justiça do Trabalho e a quantidade de ações que o clube diz responder é questão interpretativa, segundo o advogado Ramon Bisson Ferreira. O presidente Rodrigo Boaventura afirmou, em reportagem publicada dia 16 pela Gazeta de Piracicaba, que o XV reduziu “de 120 para três” o número de processos trabalhistas em sua gestão –  três dias depois, LÍDER levantou a informação de que o clube responde atualmente por 24 processos na Justiça do Trabalho, com base em certidão extraída pelo portal do TRT-15ª Região (Tribunal Regional do Trabalho).

O processo de unificação de dívidas do XV começou no ano de 2005

“É questão interpretativa. Quando o presidente se referiu aos três processos, ele quis dizer processos antigos, que estão vinculados ao plano judicial trabalhista que foi instituído há algum tempo e o XV vem pagando. São três processos que já foram julgados e não há mais o que discutir, pois o XV terá de pagar. Não há qualquer relação com os outros 21 processos que estão em andamento, pois, no entendimento geral, o clube ainda não é devedor em nenhum deles”, disse Bisson. O valor aproximado da dívida atual é de R$ 2,2 milhões.

De acordo com o advogado, o departamento jurídico do XV de Piracicaba já solicitou à Justiça do Trabalho a audiência de conciliação. “No início do ano, pedimos à Justiça do Trabalho para designar a audiência de conciliação em dois destes três casos, para ajustarmos os pagamentos. Durante o Campeonato Paulista, o XV recolhe um valor alto por mês – R$ 100 mil – e gostaríamos de liquidar mais dois casos. A partir do momento que se tem um valor razoável na conta judicial, pedimos ao juiz do trabalho para que seja marcada uma data para conversar com o advogado, o ex-atleta e o XV, para chegarmos ao acordo e liquidar o processo”, completou Bisson.

HISTÓRICO

O processo de unificação de dívidas do XV de Piracicaba começou a ser desenhado em 2005, quando o clube tinha como presidente Renato Bonfíglio – a homologação ocorreu apenas em 2006. Na época, o clube respondia 78 ações trabalhistas, mas o valor total da dívida rondava a casa de R$ 10 milhões. Na gestão de Adílson Maluf (2006-2007), houve litígio: o cartola entendia que o clube deveria pagar as dívidas com o percentual sobre a arrecadação líquida, enquanto a Justiça exigia a porcentagem referente à renda bruta.

Em 2011, com Luis Beltrame no comando, o XV anunciou o fim de penhoras de rendas e cotas de patrocinadores, após decisão tomada pelo juiz Firmino Alves Lima, mediante apresentação do Plano de Administração de Dívidas, para a Justiça do Trabalho – solução também encontrada por Bragantino e Ponte Preta. O acordo ainda prevalece – atualmente, o XV deposita cerca de R$ 100 mil mensais no primeiro semestre, valor reduzido na segunda metade do ano por conta da saúde financeira do clube.

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