Opinião

Detestável

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes/Orientec

Vica foi apresentado como técnico do XV de Piracicaba dia 28 de março, véspera da partida contra o Bragantino, em Bragança Paulista. Na ocasião, disse o seguinte: “Para o jogo contra o Bragantino, 70% a 80% é na base da conversa, motivação, passar confiança aos jogadores. Neste primeiro momento, é nisso que vamos trabalhar. Depois, teremos uma semana cheia de trabalho e podemos incrementar mais coisas. A maneira de jogar, que vinha sendo trabalhada, é bem parecida com a que eu gosto, e está todo mundo, guardadas as devidas proporções, jogando assim hoje”.

No estádio Nabi Abi Chedid, o XV foi aguerrido e não venceu porque foi incapaz de defender a última bola aérea do jogo. Quatro dias depois, o XV não rendeu o que rendeu em Bragança Paulista, mas venceu o Oeste. A semana cheia para trabalhar, a qual Vica se referiu na entrevista coletiva em que foi apresentado, foi a que antecedeu a partida de sexta-feira, contra o Votuporanguense. Quem foi ao Barão da Serra Negra, ontem, viu a pior exibição do XV em casa na Série A2 do Campeonato Paulista. Incapaz de criar qualquer coisa, sem brio. Desorganizado também.

Vica não conseguiu incrementar absolutamente nada na semana que teve para trabalhar. Nada. Assim como Ronaldo Guiaro não havia conseguido. Cléber Gaúcho também não. O problema do XV de Piracicaba, está provado, não é o treinador. O elenco é recheado de defeitos, há jogadores que não têm nível para disputar a divisão de acesso do futebol paulista. Não dá para dizer nada diferente disso, pois é isso que os jogadores estão mostrando. Em dez dias, Vica já constatou a fragilidade do material humano que tem em mãos.

No discurso após o jogo contra o CAV, Vica já não exalava otimismo da apresentação. Caiu a ficha. Não adianta sequer dar murro na mesa: o plantel é incapaz, pálido. Vive de um lampejo de Gilsinho ou uma bola parada de Romarinho. Sobrevive às custas de Mateus Pasinato. E, apesar dos apesares, o XV de Piracicaba está fora da zona de rebaixamento. Isso só indica que o nível da competição é detestável. Afinal, em uma competição em que seis times são piores que o montado pelo XV de Piracicaba, o nível só pode ser detestável.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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