Kickboxing

‘Desacreditada’, Carol conquista respeito e títulos

Ela queria provar que não era só um 'rostinho bonito'. Determinada, conseguiu

Carol Bartier, atleta de kickboxing de Piracicaba
Carol Bartier é atleta de Piracicaba e vai em busca do tri nos Jogos Abertos (Foto: Renata Candido/WGP)

“Você veio aqui para desfilar?”, foi a primeira pergunta que ela ouviu. Caroline poderia, mas não estava lá para andar sobre a passarela. A beleza do sorriso dava lugar à expressão fechada quando ela calçou as luvas para entrar no ringue. No tablado, deixou para trás todas as adversárias que encontrou. A história é de 2012. Em Bauru, Caroline virou Carol Bartier, campeã dos Jogos Abertos do Interior. “Ninguém acreditou”, contou. Depois, Carol foi campeã paulista, brasileira e da Copa do Brasil. Campeã mundial. O kickboxing, porém, é um esporte amador. A maior conquista foi a realização pessoal.

Representando Piracicaba, ela venceu duas vezes os Jogos Abertos do Interior

Carol Bartier tem 25 anos e é piracicabana, mas nasceu em Santa Bárbara d’Oeste. Como? “Fui lá só para nascer e já voltei”, explicou, agora sim, sorrindo. O interesse pelo esporte surgiu ainda na escola. A facilidade que tinha nas atividades físicas chamava a atenção das professoras, que logo começaram a aconselhar a garota a ‘investir’. Carol acatou o conselho e aos 12 anos passou a frequentar o Sesc e depois o complexo do estádio Barão da Serra Negra. Foi quando engatou a carreira de atleta. No vôlei!

“Joguei vôlei de quadra no Abzalão, depois vôlei de praia”, disse. Mas, e o kickboxing? “Chegou o momento em que eu estava em busca da minha parte profissional, porque queria estudar, mas sem descuidar da parte física. Sempre tive um condicionamento muito bom e decidi entrar em uma academia. Eu tinha uma amiga que falava para eu fazer muay thai e foi aí que conheci o mestre Wilson Teodoro e comecei a treinar. Lembro que ele então me colocou em uma luta no início de 2012 e enfrentei na estreia uma menina conhecida como Cínthia Bordoada, que tinha medalhado nos Jogos Abertos do Interior, e venci. A luta foi em Capivari. Depois disso, passei a investir mais”, relatou.

De lá para cá, Carol Bartier construiu carreira no esporte – pentacampeã paulista, tetracampeã brasileira, bicampeã da Copa do Brasil… Representando Piracicaba, ela venceu duas vezes os Jogos Abertos do Interior. A primeira, em Bauru, foi a mais especial. “Os Jogos são sempre marcantes, mas, em 2012, eu sinceramente não esperava. Ainda lembro o pessoal tirando sarro antes: ‘Veio fazer o que aqui? Desfilar?’. Eu realmente não tinha cara de lutadora (risos) e quando fui campeã ninguém acreditou”, afirmou Carol.

Carol Bartier, atleta de kickboxing de Piracicaba

Na estreia profissional, Carol não deu chances e nocauteou a adversária (Foto: Renata Candido/WGP)

No coração da atleta, há ainda um espaço reservado para a Copa do Mundo 2014, realizada em São Paulo. Não apenas pelo título, mas pela forma como a conquista aconteceu. “Foi algo que marcou bastante, porque fui chamada de última hora. Fui convocada na quarta-feira e a pesagem foi no dia seguinte. Eu tive que perder 6 kg em menos de 24 horas. Isso foi algo que marcou bastante a trajetória, foi bem tenso e intenso, e ainda conseguir ganhar o título”, relembrou a atleta.

Neste ano, Carol Bartier experimentou outra novidade: pela primeira vez, disputou uma luta profissional na edição 29 do WGP, evento mais importante do kickboxing na América Latina. A estreia acontecei em Maringá (PR), contra a atleta da casa, Fran Callegari. Carol não tomou conhecimento da adversária e a nocauteou no segundo round. A performance logo chamou a atenção dos organizadores do evento, que fizeram o convite para ela disputar outro combate. Carol não teve como aceitar. “Fui chamada para fazer uma luta, mas decidi não participar por questões particulares”.

ROTINA

“Não tenho apenas a luta em minha vida.  Eu trabalho em um hospital, faço faculdade. Não tenho como abrir mão do trabalho que tenho para dedicar o tempo apenas ao kickboxing”. O despertador toca às 6h todos os dias. Caroline acorda e não demora muito para chegar à Santa Casa de Piracicaba. No hospital, a atleta se transforma em técnica de enfermagem e trabalha no Centro Cirúrgico. Os treinos acontecem sempre no período da tarde e estão divididos entre boxe, kickboxing e academia. Isso quando não havia estágio – à noite, ela cursa o último semestre do curso de psicologia na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

“Como estou no décimo semestre, tenho que fazer o estágio (risos). De tarde, tenho que dividir estágio com os treinos também, pois à noite tenho supervisão. Então, acabo treinando de sábado e domingo também. É a minha rotina”, disse a lutadora, que sabe qual rumo vai seguir profissionalmente. “Quero a área da psicologia esportiva, vejo que isso é muito importante. Eu mesma já perdi luta na parte psicológica e mais de uma vez. Veja a Olimpíada, por exemplo: imagina a pressão que os atletas sofreram competindo em casa. É muito importante fazer algum tipo de trabalho”, afirmou.

Atleta, estudante, técnica de enfermagem… Mas, e a Carol da beleza e sorriso fácil? “Eu sou vaidosa sim! (risos) É claro que tem vez que você sai do treino toda descabelada, mas eu procuro estar sempre em ordem. Principalmente depois que o esporte se profissionalizou, com as transmissões pela televisão, não tem como não arrumar o cabelo! A imagem conta muito. Nos campeonatos que disputo, vejo meninas sempre bem arrumadas”, disse. E o namorado? “Não tenho! Estou solteira, mas nunca namorei alguém que não fosse do esporte, então é mais fácil entender a rotina. Mas, nada impede, né? (risos)”, brincou Carol, antes de calçar as luvas para mais um treino. Afinal, setembro está chegando e ela vai em busca de mais um título de Jogos Abertos.

Carol Bartier, atleta de kickboxing de Piracicaba

A atleta divide o tempo entre trabalho, treinamento e faculdade: rotina agitada (Foto: Líder Esportes)

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