Opinião

Dá para ganhar? Claro que sim!

Começa hoje (31) o Paulistão para o XV de Piracicaba. E a primeira rodada, logo de cara, é contra o Corinthians. Alguns anos atrás, vivi uma situação parecida dentro de campo com a camisa zebrada: estreia no campeonato estadual mais importante do país contra um grande clube, o Santos. Lembro-me de muita coisa naquele dia; na chegada do ônibus, Piracicaba estava em festa. Era a abertura do Paulistão, o campeão da Série A2 contra o vencedor da Série A1. Admito que fiquei muito ansioso – quem me conhece sabe disso.

Não via a hora de começar o jogo, mesmo estando no banco de reservas, pois sabia que tinha grandes chances de entrar. Estava me sentindo muito confiante nos treinos. O XV começou bem aquele jogo, havia um nervosismo natural de uma estreia em casa, afinal a expectativa era muito grande de todos nós quinzistas. Entrei em campo faltando 15 minutos e, felizmente, fui muito bem.

Ainda hoje guardo na minha memória o lance em que recebi o passe do Ricardinho e deixei a bola passar para chutar ao gol, quando sofri a falta. O juiz demorou a apitar o pênalti. Logo em seguida, me levantei e pedi para bater. Conto um fato: muitos não sabem que no intervalo comentei com alguns jogadores: “Vou entrar no jogo, fazer um gol e comemorar dando um soco no ar”. Naquele momento, peguei a bola para bater e o zagueiro Bruno Rodrigo, do Santos, tentou me provocar. “O Aranha sabe onde você bate”, disse. Eu tinha jogado com o Aranha na Ponte Preta, mas fui feliz e não dei nenhuma chance ao goleiro: gol! Foi um momento único, como fiquei feliz ao dar alegria a essa torcida!

Mas vamos voltar ao jogo de hoje. Para não perder do Corinthians, o XV precisa ser um time organizado e marcar duro, pois vai enfrentar um adversário tecnicamente superior, que joga apoiado por uma torcida que incentiva o tempo todo. Dá para vencer? Claro que sim! Mas errando muito pouco, quase nada. Além disso, o XV tem mais tempo de trabalho do que o Corinthians, que perdeu muitas peças na pré-temporada, mas não vai dar moleza alguma no Itaquerão.

Por fim, o mais importante: os jogadores do XV não estarão sozinhos na capital. Quando olharem para as arquibancadas, eles verão que seus torcedores estarão lá também, mesmo que em menor número, mas sempre confiantes de que o time pode vencer. Isso é um enorme incentivo e um fator a mais para que os jogadores quinzistas se doem em campo. E eles podem ter uma certeza: vale muito a pena fazer essa nação feliz.

André Cunha é jogador de futebol e defendeu o XV de Piracicaba entre 2011 e 2012

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