Aikidô

Da depressão ao sonho: uma lição de esperança

Alessandro chegou ao fundo do poço e agora vai treinar aikidô no Japão

Alessandro de Almeida, atleta de aikidô
Alessandro, exemplo de superação e conquista pelo aikidô (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

Há sete anos, se alguém dissesse para o autônomo Alessandro de Almeida, 39, que em 2017 ele cumpriria o sonho de qualquer praticante de aikidô e passaria um mês no Japão, o berço da arte marcial, apenas treinando, provavelmente ele não acreditaria. Enfrentando na época sérios problemas de estresse e depressão causados pela rotina em São Paulo, ele viu complicar uma rara doença degenerativa, cuja principal agravante é a perda gradativa da visão. Foram dez descolamentos de retina em um ano. A perda total da visão parecia certa. Em 2010, Alessandro foi obrigado a operar e ouviu do médico a seguinte proibição: “esportes, nunca mais”. Nesta quinta-feira (15), porém, a história de superação chega ao ponto mais alto.

Alessandro vai treinar no berço do aikidô: experiência impensável há sete anos, quando enfrentava problemas de saúde

O aikidô entrou na vida de Alessandro repentinamente: ao procurar algum esporte para o filho mais velho, Elias, de 11 anos, ele descobriu a arte marcial japonesa que reúne autoestima, disciplina e filosofia. De lá para cá, o autônomo transformou a própria vida. Agora, terá a oportunidade de testemunhar com o olho direito – a visão do olho esquerdo é debilitada – a origem da história escrita pelo mestre Morihei Ueshiba, na primeira metade do século 20. “Todo mundo que pratica aikidô imagina-se um dia treinando na central mundial, que é o Japão. Tenho certeza que será a primeira de muitas viagens, vai marcar muito a vida dele”, afirmou o sensei Roney Rodrigues Filho, um dos fundadores da Escola Aiki Kaizen, em Piracicaba.

“É onde nasceu tudo, a energia do fundador e da familia Ueshiba está ali”, contou o sensei que visitou o país asiático em maio de 2016. “A aventura dele tem uma história de vida cheia de batalhas e isso será especial, vale a pena. Alguma coisa tocou o coração dele e o Alessandro traçou isso como objetivo. O visto japonês, como em qualquer visto, você tem que ter uma série de requisitos para conseguir e ele conseguiu”. Além de Tóquio, Alessandro vai passar por Iwama, cidade que é o berço do aikidô. Lá, ele vai participar dos treinos e colaborar com a organização do Ibaraki Dojo. “A energia de lá já me contamina”, relatou Alessandro, uma semana antes do embarque.

“É um privilégio e uma conquista, mais uma em minha vida”, festejou. A façanha, porém, foi ‘suada’ e quase teve de ser cancelada em virtude da dificuldade para obter o visto japonês. “A ficha de que eu iria começou a cair quando consegui o visto, foi algo muito suado. No dia que recebi a notícia que eu iria para o Japão, horas antes, eu tinha comunicado o meu sensei de que iria cancelar a reserva da passagem, pois não tinha tido resposta. De repente, houve a confirmação. Foi um estado de êxtase marcante, demorou um pouco para entender”, disse.

AVENTURA

A aventura pelo oriente abre caminho para uma sequência de fatos marcantes para Alessandro: em agosto, ele será pai novamente; em outubro, vai se mudar com a família para Israel. A mudança brusca – e para melhor – na vida dele, segundo o próprio autônomo, teve início lá atrás, quando viu sua saúde beirar o fundo do poço. “Eu brinco que a doença me veio para trazer saúde. Precisei passar pelo que passei para ter a saúde que tenho”, afirmou Alessandro, que fez questão de enaltecer a importância do sensei nas conquistas que vêm alcançando desde que decidiu se tornar praticante da arte.

“Ele (Roney) foi absolutamente fundamental, uma das pessoas que mais me incentivou a fazer a viagem para o Japão. A organização deste homem é estupenda, não tenho palavras para agradecer. O sensei se prontificou a ajudar em tudo: com as passagens, fez uma carta recomendação para que eu pudesse treinar lá, enfim, quando ele pede comprometimento para nós, é porque ele vive, respira o aikidô e é extremamente comprometido com a arte. Fui contagiado por ele, pelo encantamento que ele tem com o aikidô”, completou Alessandro, de malas prontas para uma experiência que, há sete anos, parecia impossível. Parecia, mas não foi.

Início