Automobilismo

Como é pilotar um Fórmula Vee?

Chegou à redação um convite da F/Promo Racing: você gostaria de fazer um ‘Drive Day’ em um Fórmula Vee? A resposta foi óbvia: ‘Sim!’. Nas linhas seguintes, conto em primeira pessoal qual foi a minha impressão dirigindo um carro de corrida sem nenhum tipo de experiência prévia. Em primeiro lugar, ilusão: quem não quer dirigir um carro desses? Quem gosta do esporte a motor sonha alguma vez em ser piloto de F-1. Nós pensamos, ainda, que temos as habilidades para dirigir qualquer carro. Será?

Antes de qualquer coisa, vou tentar explicar o que é um Fórmula Vee. Segundo o site oficial, “baseado em um chassi tubular de alta resistência, o carro foi desenvolvido para receber um conjunto de força que permite atingir velocidades altas, chegando a 207 km/h no circuito de Interlagos, em parte beneficiado pelo baixo peso de 490 kg, chegando, conforme o regulamento, aos 570 kg com o conjunto carro, piloto e equipamentos de segurança”. A título de curiosidade, para comprar um carro destes, pronto para corrida, você terá que gastar R$ 45 mil.

De repente, aquela confiança para conduzir o carro começou a sumir

Vou deixar de lado a parte técnica; voltamos para a experiência. Cheguei ao ECPA logo após o almoço e todos os carros estavam sendo ajustados para o treino dos pilotos da categoria. Depois de um bate papo sobre carros, preenchi a planilha com os termos e as condições, que incluíam nome, idade, convênio médico, grupo sanguíneo…  espera um pouco. A coisa é séria assim? De repente, aquela confiança para conduzir o carro como se fosse o próximo Ayrton Senna começou a sumir.

Planilha preenchida, começam as explicações sobre o carro. Os organizadores orientam sobre a troca de marchas, como sair (sabendo que a embreagem é bastante sensível), como fazer as curvas, quando acelerar. Tudo sob controle, ainda sou “o melhor motorista do mundo”. Neste ‘Drive Day’, você segue um instrutor que fica à frente e vai acompanhando seu ritmo. Se você tem confiança, ele acelera; depende exclusivamente de você. Finalizada a parte teórica, era a hora da verdade.

Vesti o macacão, capacete e as luvas, e inclusive um ‘hans’, aquele protetor para o pescoço que você já viu na F-1. A posição dentro do caso é quase deitada, mas o local é cômodo, com espaço para os ombros. Coloquei o cinto de segurança de cinco pontos e o volante. Na frente, só o conta-giros e a mistura de combustível/ar. À direita, uma pequena alavanca de troca de marchas. E só! Conferi os minúsculos espelhos; eles ligaram o motor. O barulho era de “acabou a brincadeira”. Engatei a segunda (sim, você sai em segunda) e comecei a acelerar e soltar aos poucos a embreagem. O carro começou a se mexer e fiquei atrás do meu instrutor na entrada da pista.

Você sente a freada e aceleração potente do carro e todas as sensações de estar em uma corrida

A primeira volta foi muito tranquila, para que eu pudesse me acostumar ao carro e à pista, pois era minha primeira vez no ECPA (Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo). Aos poucos, comecei a acelerar mais. Naquela altura, pensei que estava entendendo o carro e quis dar uma ‘esticadinha’. Que erro! O carro corre bem mais do que eu imaginava. Na hora que você pisa o pedal, a coisa muda muito. O pneu reclamava nas freadas e nas curvas. Nas seguintes voltas, aumentei um pouco mais o ritmo. Pisei fundo várias vezes e a sensação foi espetacular.

Você consegue ver os pneus fazendo o traçado, sente a freada e aceleração potente do carro e todas as sensações de estar em uma corrida. As cinco voltas dessa experiência passaram mais rápido do que eu teria gostado. Mais uma ou duas voltas e eu já seria melhor do que Lewis Hamilton, mas, vou deixar passar por enquanto. De volta aos boxes, estacionei o carro empurrado pelos mecânicos e saí dele com aquela vontade de quero mais.

Desci do carro, tirei os equipamentos e agradeci ao pessoal pelo convite. Foi um dia daqueles que você conta para os seus amigos como atingiu 580 km/h na reta, ultrapassando todo mundo. Bom, não é pecado exagerar um pouquinho, né? Sem dúvida, é uma experiência para quem gosta de velocidade e quer saber como é ser piloto por um dia. Quem sabe você também se apaixona e acaba se transformando em piloto? O campeonato é aberto para todo mundo.

Diego Santillana é editor do LÍDER

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