Opinião

Coloque-se no papel deles, Renato

Na quinta-feira (18), em entrevista coletiva no estádio Barão da Serra Negra, perguntei a Renato Bonfíglio sobre as críticas ao trabalho feito por ele, vindas da torcida do XV de Piracicaba. Ao contrário de dois colegas de imprensa – e aqui não vale a pena citá-los -, entendo que a pergunta foi absolutamente coerente. Primeiro, porque Renato é o responsável maior pelo departamento de futebol; depois, porque já haviam sido feitas perguntas sobre a parcela de culpa do ex-técnico, Claudinho Batista, e o rendimento abaixo do esperado ou falta de comprometimento de jogadores. Perguntei o óbvio.

O elenco do XV de Piracicaba é interessante e não condiz com a 18ª colocação geral. Deixo claro ainda que não penso que a diretoria errou grosseiramente em contratações. Sou da linha que entende que é o plantel mais equilibrado que o clube montou desde 2012. E acredito que o maior erro foi a insistência do ex-treinador em uma formação tática que os jogadores não assimilaram. Em outras palavras, foi o enunciado da pergunta que fiz a Renato, antes de questionar: como é que você enxerga as críticas contra o trabalho feito por você? A resposta foi a seguinte:

“É meia dúzia de bandidos que não me afeta em nada. Quando estiver faltando dinheiro no XV, quero ver se eles aparecem para ajudar. Todo mundo fala que sou pistoleiro. Sou pistoleiro mesmo. Não tenho medo disso. Acho lamentável isso. Mas o pessoal pode ficar tranquilo. Vou até o fim do meu mandato. Jamais vou pedir demissão”.

Na pergunta, não houve qualquer menção à pistola, que remete ao já batido episódio vivido pós-Osasco, em 2009. Coloque-se no lugar do torcedor, Renato. No lugar do sócio-torcedor que paga a mensalidade, frequenta o estádio, compra a camisa e não suporta a coleção de fracassos do XV na tentativa de voltar ao Campeonato Brasileiro. Daquele que defende uma mudança de mentalidade no clube. Coloque-se no lugar do torcedor apaixonado que não tolera mais ouvir “aquela bosta vai cair” por aí, de gente que não sabe direito o nome da rua do estádio. Bandidos? Renato, você não pode colocar todos eles no mesmo pacote. Até porque não cabem; são bem mais que “meia dúzia”.

A maioria deles defende mudança, sangue novo, Renato. Não é questão de dinheiro, do qual o clube não pode ser refém; é questão de postura, sabedoria. O quinzista ama o XV, não os êxitos do dirigente, qualquer que seja seu sobrenome. Pois a história, Renato, prova que o clube resiste ao tempo, os homens não. E por falar em história, o XV inicia contra o Red Bull outro capítulo. Ronaldo Guiaro, interino, treinou o elenco uma vez e vai escalar o time no 4-4-2. Por quê? Porque é mais seguro. Vai entender…

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

Início