Opinião

Caso Celsinho: considerações

Sobre o episódio envolvendo o atacante Celsinho, do XV de Piracicaba, acusado de agredir um casal de estudantes:

A confusão existiu, é fato.
Celsinho e o casal não se conheciam, mas entraram no mesmo carro, dirigido por Gustavo, após o pedido de um amigo em comum.
O amigo em comum, Guilherme, não se pronunciou sobre o caso.
Celsinho confirmou que brigou com Gustavo, mas não explicou o porquê.
Isabella diz que foi agredida por Celsinho após a agressão ao namorado.
Isabella e Gustavo afirmam que as agressões existiram porque eles queriam comer um lanche após a balada, e Celsinho, que estava na carona, queria ir embora.
Isabella e Gustavo registraram Boletim de Ocorrência contra Celsinho.
Isabella exibiu fotos em que o lado esquerdo de seu rosto aparece inchado.
Isabella diz que as fotos são provas da agressão.
Celsinho negou qualquer agressão contra Isabella e registrou Boletim de Ocorrência contra o casal, que teria prejudicado a imagem dele.

Daqui para baixo, caro leitor, é opinião:

Não dá para afirmar se Celsinho agrediu Isabella ou não, tenho algum feeling sobre o caso, mas não é papel de jornalista julgar absolutamente ninguém, tampouco alimentar boato.
Violência é algo detestável em qualquer hipótese. Uma vez solucionado o caso, é capital que haja punição.
Existem duas versões incompletas e que não se encaixam. Mais do que isso, é mera especulação.
As versões registradas nos Boletins de Ocorrência são parciais.
Há um erro de posicionamento da família de Isabella ao publicar e potencializar o caso nas redes sociais, sobretudo sublinhando que o acusado é jogador do XV de Piracicaba, o que obviamente aumenta o interesse sobre a informação pelo nome do clube, não pelo nome do atleta.
Isabella, pelos relatos públicos, está bastante abalada, o que torna incompreensível a exposição na internet. Para ela, isso é ruim e denota insegurança, conforme relatos aos quais tive acesso.
Celsinho erra ao responder nas redes sociais que a acusação tinha como propósito ‘aproveitar da situação dele, especificamente dele, no XV de Piracicaba’, o que não faz sentido nenhum.
Celsinho, como qualquer atleta, não deve confundir sua vida particular com a carreira profissional.
As publicações na internet geraram uma absolutamente lamentável troca de ofensas entre amigos e familiares de um lado e de outro. Isso não vai levar a lugar algum.
O resultado do bate-boca virtual é uma promoção primitiva da violência (verbal).
A única solução coerente (e possível) é levar o caso para Justiça, e que se faça o que for justo.
Jornalismo e puxa-saquismo não são exercícios compatíveis.

Na minha opinião, a postura mais adequada é a exercida pelo XV de Piracicaba: o clube diz que aguarda a apuração do caso para só depois se pronunciar oficialmente. Aula de civilidade.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do portal LÍDER

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