Opinião

Caso ‘André Cunha’

O caso ‘André Cunha’ está mal contado. O jogador nunca escondeu que gostaria de voltar ao XV de Piracicaba. A diretoria nunca deixou claro que queria tê-lo de volta, mas também não disse que não queria. A história é pra lá de confusa. O próprio XV se confunde para contá-la. O clube deu três versões diferentes em três dias. Nenhuma convincente. O povo da internet implora pela contratação de André Cunha. A cúpula aponta para a saúde financeira do XV e segura os gastos. Houve proposta?

Dia 5 de julho. O gestor Beto Souza diz o seguinte para a rádio XV. “Em relação ao André Cunha, não houve nenhum contato. É um jogador interessante, experiente, que nós observamos até pelas vezes que jogou contra nós. Mas, é como eu disse: daqui para frente, estamos buscando reforços apenas a custo zero. O André Cunha, pela idade que tem (38 anos), dificilmente seria bancado por algum empresário e não acredito que ele venha aqui jogar de graça, pois tem mercado e precisa sustentar a família dele”.

Dia 6 de julho. O gestor Beto Souza garante para a rádio Jovem Pan News Piracicaba: “O André Cunha ligou para o Celso (Christofoletti, presidente do XV) e uma proposta foi passada para o jogador, dentro das condições do clube, mas ele não aceitou a proposta”. No dia 5, não havia qualquer contato. No dia 6, já havia proposta formalizada e recusada pelo jogador. Esquisito, né? O povo que lê diariamente as notícias do XV achou estranho. O colega do André Cunha achou mais estranho ainda.

Dia 7 de julho. O presidente Celso Christofoletti, na entrevista coletiva de apresentação do técnico Evaristo Piza, declara. “Fui eu quem conversou com o André Cunha, semana passada, antes do primeiro jogo (contra o Penapolense, dia 3). Nas mesmas condições que propusemos ao Evaristo, fizemos (uma proposta) ao André também, as condições financeiras, de estrutura e de salário. Ele ficou de pensar e me retornou dizendo que não interessava para ele. Eu não tinha comentado isso com o Beto, por isso ele falou diferente. Houve proposta para ele, eu acho que ele ainda pode contribuir, mas, por opção dele, acabou não vindo”.

Falta peça no quebra-cabeça. André Cunha, o que diz? Nada. Não quer conflito com o XV. O caso está desgastado. Neste sentido, há unanimidade. Fica a sensação de que uma situação simples, questão de sim ou não, termina com reticências ao invés do ponto final. Nada que uma prosa entre A, B e C não resolva. O povo agradeceria. A, B e C: André, Beto e Celso. Curioso…

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

Início