Opinião

Canavarros

Ele tinha 21 anos, assim como eu. Completaria 22 no próximo dia 13. Tinha muito pela frente. Estava no começo de sua carreira como jogador de futebol e prestes à ter um filho, o Caio. Disputaria o melhor campeonato que acontece no Brasil neste início de ano. A princípio, não seria titular, mas teria uma competição inteira para mostrar sua qualidade e se aproveitar da vitrine que o Paulistão é. Não o conheci pessoalmente, porém, mesmo sem poder garantir que estou certo, sei que ele estava empolgado com tudo isso.

Natural de Dourados, Mato Grosso do Sul, ele integrou as categorias de base de Santos e Grêmio. Atuou pelo Inter de Lages-SC antes de ser contratado pelo XV de Piracicaba. Treinou até a semana que antecedeu a estreia da equipe no Paulistão e, nos últimos sete dias, contou com a energia daqueles que torciam por sua recuperação. E havia muitos. Quanto a isso, posso garantir que estou certo, tanto que as notícias mais lidas e compartilhadas do LÍDER nesse período foram sobre ele.

Claudinho Batista, treinador do Nhô Quim, também se comoveu com a sua situação. Ficou cabisbaixo e desabafou em entrevista coletiva, na sexta-feira (29). E, nesta segunda (1), houve esse trágico desfecho, que abalou ainda mais o técnico e seu elenco, com os quais Canavarros conviveu por cerca de dois meses. Era a sua família em Piracicaba. O Alvinegro terá dez dias para amenizar esse baque e redirecionar todas as atenções para o Estadual. Será difícil, mas não existe outra opção.

Meus sentimentos à família e aos amigos de Canavarros. Que eles tenham força para seguir adiante e façam com que o Caio conheça seu pai através de lembranças e ideais deixados por ele. Amém!

Rodrigo Alonso é jornalista e cronista esportivo

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