Opinião

Bons tempos do basquete piracicabano

Meu primeiro emprego no jornalismo foi em uma revista especializada em basquete, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Era início da década de 1990, na mesma época do retorno da armadora Paula, a Magic Paula, à equipe de basquete da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Além da volta, a editora da universidade lançava a biografia da atleta, na Nobel do Shopping Piracicaba.

E lá iria eu. Saí de São Paulo rumo à Noiva da Colina para cobrir esse grande evento. Foca, como são chamados os novatos no jornalismo, e fã de carteirinha da número 4 do time piracicabano e camisa 8 da seleção brasileira, era o tipo de pauta que eu iria até de graça. Comecei a ser admirador da maior jogadora do basquete brasileiro em todos os tempos – na minha modesta opinião – ainda adolescente, na década de 1980, quando ela fazia verdadeiras “batalhas” contra a Minercal/Sorocaba, da não menos genial Hortência.

Ao chegar na cidade, desembarcando na rodoviária de Piracicaba, nem quis almoçar e fui direto para o shopping. Estava tenso. Queria ver logo aquela que era a versão feminina de Magic Johnson – pois, assim como o superastro do Los Angeles Lakers, ela tinha como especialidade puxar os contra-ataques com belas assistências – olhando para o lado direito e passando a bola para o lado esquerdo e vice-versa. Lá, eu pude constatar a simplicidade de um gênio do basquete. A entrevistei com exclusividade, comprei o livro, ganhei dedicatória e uma foto – detalhe: li o livro inteiro três vezes e ainda tenho em minha biblioteca particular.

Imagino a saudade que o piracicabano tem daquele grande time feminino de basquete dos anos 1980 e 90: Paula, Nádia, Vânia Teixeira, Vânia Hernandes… Um verdadeiro esquadrão, quase sempre comandado pela campeoníssima dupla Maria Helena & Heleninha. Esperamos que a Noiva da Colina volte a ser competitiva naquele que já foi o esporte número dois de Piracicaba e do Brasil, a partir de um trabalho maior do poder público – nas escolinhas e categorias de base – e apoio da iniciativa privada. É a nossa torcida!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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