Ginástica Artística

Biscalchin perto de realizar sonho olímpico

Piracicabano está próximo de convocação para arbitrar nos Jogos 2016

Daniel Biscalchin, treinador de ginástica artística da academia Pira Olímpica
Daniel Biscalchin: convocação é vista como prêmio para o trabalho vitorioso (Foto: Líder Esportes)

Daniel Biscalchin começou a praticar ginástica artística aos 12 anos e, como qualquer outro esportista, gostaria de participar da Olimpíada. Porém, o sonho dele tem uma particularidade: ele não quer competir, mas tem a ambição de ser árbitro nos Jogos do Rio de Janeiro. E o desejo está perto de se concretizar: entre os dias 13 e 19 de abril, o piracicabano será juiz de linha no evento-teste para as Olimpíadas, na Arena Rio. A competição será disputada em países ainda não classificados e vale vaga para os Jogos.

“A Olimpíada é muito maior. É o evento top, não dá para comparar com o Mundial”

Aos 37 anos, Biscalchin é técnico da equipe de ginástica artística de Piracicaba. O fato de ter iniciado tarde no esporte praticamente tirou dele qualquer chance de chegar às Olimpíadas como atleta – ele próprio cita que o ginasta Diogo Soares, promessa da modalidade, já era campeão sul-americano com a mesma idade que ele começou a treinar. Na condição de árbitro, Biscalchin tem currículo recheado de experiências: ele já participou de Pan, Copa do Mundo… Restam apenas duas competições para completar o ‘álbum’: Mundial e Olimpíadas. Sabe qual a preferência?

“A Olimpíada é muito maior. É o evento top, não dá para comparar com o Mundial. É algo que eu sempre sonhei”, disse Biscalchin. No evento-teste, equipamentos e regulamento serão os mesmos adotados nos Jogos Olímpicos. A arbitragem também será testada, o que coloca o piracicabano a um passo de realizar o sonho. “A chance é grande, realmente. É um evento similar e super importante, serve para testar toda a logística e vale vaga oficial. Do mesmo jeito que estão testando aparelhos, também estão de olho nos árbitros”, afirmou.

A função de Daniel Biscalchin no evento-teste é fiscalizar os atletas para ver se eles saem ou não da linha permitida durante a execução de cada série. O piracicabano, aliás, explica que qualquer pessoa pode arbitrar; basta estudar. O curso, porém, não é suficiente. “Na prática, não é todo mundo que sabe como tudo funciona o esporte. Tem que se atualizar sempre, aprender com os árbitros mais experientes. A gente estuda, mas não tem as séries dos atletas prontas, isso dificulta muito. O cara pode treinar uma coisa e fazer outra. Você tem que decorar, estudar muito. Duvidar meio segundo compromete todo o trabalho”.

Biscalchin virou árbitro por questão de necessidade. Na época em que era atleta, o treinador dele não entendia as regras corretamente. “Eu competia no solo, executava bem e não entendia porque outros atletas sempre me venciam. Certa vez, um árbitro veio me falar: ‘Olha, você faz séries muito boas, mas erra na montagem e perde muitos pontos’. Então, eu fiz o curso, aprendi a montar minha própria série e evolui muito. Isso facilita demais”, relatou o treinador piracicabano.

RESPONSABILIDADE

E quem disse que vida de juiz de ginástica é fácil? Biscalchin enxerga a função como de extrema responsabilidade, sobretudo quando algum nome forte do esporte está competindo. “Eu já arbitrei caras como o Arthur Zanetti (campeão olímpico). Dá um impacto, claro, mas você não pode errar, tem que ser o mais imparcial possível. Não dá para prestar atenção em fatores externos, como a torcida, por exemplo. Já cheguei a arbitrar o Diego Hypólito, no auge da carreira dele, e ele cometeu erros. Não tem como não descontar (a pontuação). A torcida reclama, o treinador contesta, mas não tem jeito (risos)”, concluiu o piracicabano.

Daniel Biscalchin, treinador de ginástica artística da academia Pira Olímpica ao lado do atleta Diogo Brajão Soares

Daniel Biscalchin ao lado do atleta Diogo Brajão Soares: parceria tem dado resultados (Foto: Líder Esportes)

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