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Basquete, tênis, vôlei? Conheça o rúgbi adaptado

Base da seleção brasileira, Adeacamp participa de vivência no Sesc Piracicaba

Alexandre Taniguchi, jogador de rúgbi adaptado da seleção brasileira
Alexandre Taniguchi é o capitão da seleção brasileira de rúgbi sobre rodas (Foto: Líder Esportes)

Bola de voleibol, quadra de basquete e desgaste físico comparável a um jogo de tênis com cinco sets. As três características pertencem ao rúgbi sobre rodas, esporte criado no final da década de 1970, no Canadá, e que desde Sydney figura nos Jogos Paralímpicos. No Brasil, a modalidade ganhou mais adeptos na segunda metade dos anos 2000. Uma das principais equipes do país e base da seleção brasileira, a Adeacamp (Associação de Esportes Adaptados de Campinas) participou no último sábado (13) de uma vivência sobre o desporto no Sesc Piracicaba – a atividade fez parte do Sesc Verão.

O praticante da modalidade tem deficiência em pelo menos três membros

Na ocasião, a Adeacamp fez um jogo demonstrativo. Cada equipe é composta de quatro jogadores titulares e as partidas têm quatro períodos com duração cronometrada de oito minutos. O objetivo é passar da linha do gol com duas rodas da cadeira e a bola controlada nas mãos. Simples, não? Nem tanto. Há regras mais específicas. A bola, por exemplo, pode ser carregada, driblada ou passada, mas nunca para trás da meio-quadra após cruzar a linha. Além disso, no máximo, ela deve ser conduzida por dez segundos, o que dá dinâmica ao esporte.

E quem pode jogar? A resposta não é minuciosa. “Cada jogador tem uma classificação, que é definida de acordo com a funcionalidade. A pontuação varia de 0,5 a 3,5, isso é caracterizado pelo grau de comprometimento. Em um jogo, os times têm em quadra quatro jogadores e a soma deles não pode exceder oito pontos”, disse ao LÍDER Luis Fernando Sper Cavalli, jogador do clube campineiro e também da seleção brasileira.

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Luis Fernando é jogador da seleção (Foto: Arquivo Pessoal)

O praticante da modalidade tem deficiência em pelo menos três membros. A classificação de um para-atleta varia de acordo com a sua limitação ao esporte e leva em consideração itens como alcance do movimento, movimentação funcional e testes musculares. A partir da pontuação 4,0, o jogador passa a ser inelegível para o rúgbi sobre rodas.

CRESCIMENTO

O Brasil ainda não tem tradição no esporte, mas dá sinais de crescimento. Atualmente, o Campeonato Brasileiro de rúgbi em cadeira de rodas conta com 16 clubes filiados e separados em duas divisões. Tetracampeã, a Adeacamp é base da seleção nacional – além de Cavalli, o capitão Alexandre Taniguchi, os atletas Bruno Damaceno e Lucas Junqueira também fazem parte da seleção brasileira, assim como o técnico Luís Gustavo de Souza Pena e o preparador físico Mauro Furtado. Eles, inclusive, estão cotados para participar dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro, neste ano.

“Jogo o rúgbi sobre rodas desde 2008, que foi o ano em que a modalidade ‘pegou’ mesmo aqui. O esporte é extenuante, o esforço físico é gigantesco. Há sim um crescimento e acredito que o fato de os Jogos Paralímpicos serem no Brasil ajuda bastante, mas ainda falta apoio e quem divulgue isso. O trabalho realizado pelo Sesc tem enorme importância para nós”, completou Cavalli.

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