Opinião

Autoconfiança

Há uma semana, falei que faltava poder de decisão ao XV de Piracicaba. Fabinho, de lá para cá, teve isso de sobra. Mesmo na derrota para o Rio Claro, o atacante exalou personalidade e deu a assistência que culminou no único tento anotado pelo time no Campeonato Paulista até aquele momento. Diante do Red Bull, ele superou as falhas que cometeu no primeiro tempo, tanto no lance que originou o gol do adversário como em jogadas de bola parada, e balançou a rede duas vezes na vitória do Nhô Quim por 2×1, de virada.

Além de organização e entrosamento, uma equipe de futebol precisa de jogadores como Fabinho, que não se intimidam pelos próprios erros e têm iniciativa. Eles se destacam e chamam a responsabilidade para si principalmente quando o time não se encontra em campo. No entanto, não posso ser hipócrita. Tenho de ressaltar que nada disso funciona se não houver qualidade. Já me incomodei com muitos atletas que arriscaram jogadas diferentes e não conseguiram executá-las.

Fabinho foi um deles. Quando ele se posicionou para bater a falta que resultou em seu segundo gol, pensei: “De novo ele?”. As estatísticas, naquela altura do jogo, estavam totalmente contra o atacante do Alvinegro. Ele já havia cobrado várias infrações e, em praticamente todas as oportunidades, acertou a barreira. Mas, ao contrário de mim, Fabinho não perdeu a confiança nele, tentou mais uma vez e chutou no ângulo. Isso rendeu o primeiro triunfo do Nhô Quim na competição.

Ele fez a diferença, assim como Diguinho, Cafu e os ‘Paulinhos’ nos anos anteriores. Porém, para conseguir uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, o XV necessita de mais jogadores assim, que não tenham medo das críticas e acreditem em seus instintos. Talvez esse último resultado do Nhô Quim tenha dado a segurança que outros atletas careciam. Caso contrário, o Nhô Quim será apenas mais um clube que brigará pela permanência na Série A1 do Paulista.

Rodrigo Alonso é jornalista e cronista esportivo

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