Opinião

Atletas e doping: uma questão de direito

Muito se tem falado sobre doping nos últimos tempos. Atletas de ponta punidos de forma rígida e carreiras encerradas por conta do uso de substâncias proibidas tomam conta cada vez mais dos noticiários esportivos. O esporte tem mudado de uns tempos para cá, virou negócio e, por conta desta modificação gritante no modo de se ver as competições, os altos investimentos passaram a ser rotina. Atletas que antes não tinham apoio veem-se cada vez mais absorvidos com a ideia de ganhar a qualquer custo. Anos de luta sem resultados e, em um momento, as coisas podem simplesmente mudar.

Em desabafo feito por meio do livro polêmico chamado ‘A Corrida Secreta de Lance Armstrong’, o ex-ciclista Tyler Hamilton ousou dizer: “Eis um numero interessante: mil dias […] Conversar com outros ciclistas dessa era e ler suas histórias, parece ser um padrão: aqueles de nós que usaram doping, na maioria das vezes, começaram a partir do terceiro ano. Primeiro ano, recém-profissional, animado por estar lá, o calouro está cheio de esperança. Segundo ano, cai-se na real. Terceiro ano, clareza – a encruzilhada. Sim ou não. Dentro ou fora. Todo mundo tem seus mil dias: todo mundo tem sua escolha”.

Detalhando sua vida como atleta, o mesmo conta os desafios, as angústias, as tristezas, as lutas incessantes e demonstra ao mundo que o ser humano tem seus limites, seja para desistir, seja para ir em frente. E o preço, no entanto, pode ser alto. Pode, inclusive, lhe custar a própria vida. A corrida por melhores resultados vislumbra qualquer atleta. Encantados com as possibilidades, muitos deles se perdem seja por ganância, seja por sua própria origem humilde e inocência. O uso de substâncias proibidas começa, então, a fazer parte da rotina.

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Fernanda Bini é advogada, especialista em direito desportivo e colunista do portal LÍDER

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