Canoagem

Após lesão, Thiago Serra busca uma vaga olímpica

Recuperado de fratura na patela, piracicabano está confiante na classificação

Thiago Serra, atleta da Associação de Canoagem de Piracicaba
Recuperado de lesão, Thiago Serra quer uma vaga na Olimpíada do Rio de Janeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Thiago Serra tem 21 anos e viveu quase tudo na canoagem. O atleta conhece o sabor da vitória, degustado entre títulos nacionais e convocações para a seleção brasileira, mas também já sentiu o gosto amargo da dor. Em 2014, o canoísta piracicabano sofreu uma grave lesão que quase acabou com a carreira. Ao fraturar a patela direita, Serra ficou afastado da canoagem por seis meses – ele compete na C1 (canoa individual), categoria em que o remo é ajoelhado.

A recuperação também foi precoce e, em 2015, ele retornou à seleção brasileira. Nesta temporada, o atleta espera alcançar um dos poucos objetivos que ainda não conquistou: a vaga para a Olimpíada do Rio de Janeiro. Em entrevista ao LÍDER, Thiago Serra foi realista: disse que a canoagem brasileira evoluiu, mas preferiu não alimentar grandes expectativas sobre medalhas. O atleta ainda comentou sobre os planos para o ano e o que pensa em relação ao possível ‘legado’ dos Jogos Olímpicos no Brasil. Confira:

LÍDER: Depois da lesão em 2014, você retornou à seleção brasileira ano passado. Está completamente recuperado ou sente que ainda não atingiu o mesmo nível?
Já estou 100% recuperado. O ano de 2015 foi positivo. Fiquei em 15° lugar no Mundial Sub-23, em Foz do Iguaçu-PR, e remei em cinco etapas da Copa do Mundo. Voltar a fazer parte da seleção brasileira foi importante. Fui membro da equipe permanente de 2012 até 2014. A equipe permanente é como uma seleção. Lá estão os melhores do país, atletas novos com potencial que são acompanhados pelos técnicos nacionais e patrocinadores da seleção brasileira

LÍDER: Como foi o processo de recuperação?
Foram seis meses sem poder remar, por que na minha categoria o remo é ajoelhado e havia fraturado a patela. Eu voltei para Piracicaba e voltei a treinei aos poucos com a ajuda do clube (Associação de Canoagem de Piracicaba) pensando na seletiva de 2015, que foi no mês de março em Foz do Iguaçu-PR. Consegui o terceiro lugar. A partir dessa prova seletiva foi montada a seleção brasileira que remou o Mundial sub-23, cinco etapas da Copa do Mundo e o Mundial sênior (adulto), que foi categoria principal.

LÍDER: O próximo objetivo é a vaga olímpica, uma das poucas experiências que você ainda não teve. Está confiante?
O foco está nas provas seletivas para as Olimpíadas, que acontecem em março no Complexo Esportivo de Deodoro (sede das provas de canoagem nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro). Olha, eu estou bastante confiante, apesar de ter terminado o ano passado em quarto lugar no ranking (nacional) depois de fazer uma final com muitas faltas no Campeonato Brasileiro. Mas tenho treinado forte desde o ano passado pensando nisso. Parei um pouco no período de festas, mas estou voltando com tudo.

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O piracicabano Thiago Serra aponta Ana Sátila como principal nome da canoagem brasileira nos Jogos Olímpicos deste ano (Foto: Arquivo Pessoal)

LÍDER: Como você avalia o atual nível da canoagem brasileira?
O esporte cresceu muito nos últimos anos. Principalmente por conta do apoio de patrocinadores de peso, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), G&E e Itaipu Binacional.

LÍDER: Mas dá para pensar em medalha olímpica ou essa não é a realidade?
Acredito que a maior esperança brasileira é a Ana Sátila (caiaque K1). Ela já conseguiu chegar em uma final de Copa do Mundo. Há alguns anos, a Ana Sátila vem sendo o foco principal da confederação brasileira (CBCa) e, neste momento, ela está na Austrália treinando. Nas demais categorias, acredito que a chance do Brasil é chegar nas semifinais. Se isso acontecer, será um grande feito para a canoagem do país.

LÍDER: Outro tema bastante comentado é em ‘legado olímpico’. Que tipo de ‘herança’ você pensa que os Jogos Olímpicos vão deixar por aqui?
É uma grande dúvida. Passei por Londres e La Seu d’Urgell (Barcelona), ambas foram olímpicas. Lá, o legado foi incrível. Londres desenvolveu projetos que exploram o canal com aulas de canoagem, rafting e treinamentos de resgate. Na Espanha também. No Rio de Janeiro, o canal vai ser aberto ao público, como um ‘piscinão’. Acredito que com uma boa administração e controle, é possível dar um grande salto para a canoagem nacional, pode ser um berço para acolher novos atletas. E em uma região carente como Deodoro, que é cercada por favelas, pode ser um atrativo enorme. Porém, para manter os custos de funcionamento das bombas que alimentam o canal, vai muita grana. Penso que se conseguirem um desenvolver um bom projeto e atrair patrocinadores, pode ficar um ótimo legado. O esporte está muito ligado com a cidade, que tem clima quente o ano todo.

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