Aikidô

Aos 81, Yoge esbanja vigor: ‘Esporte é respeito’

Educação, espiritualidade e respeito: os valores da arte marcial sem combate

Yoge Komatsu, atleta de aikidô da Escola Aiki Kaizen Piracicaba
No aikidô, a ordem é respeitar o adversário e preservar o bem-estar (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

“Eu estava andando na agronomia e escutei um barulho diferente. Fui ver o que estava acontecendo e gostei. De lá para cá, não parei mais”. O relato de seu Yoge Komatsu tem quase três décadas. Hoje com 81 anos, ele dá passos calmos e, com o olhar sereno, transmite a aura que sentiu pela primeira vez ao ouvir aquele barulho, lá atrás. O ruído, então misterioso, tinha nome desconhecido e representava uma série de movimentos plasticamente vistosos. Naquele dia, seu Yoge conheceu o aikidô.

Arte marcial de origem japonesa, concebida pelo mestre Morihei Ueshiba, o aikidô é oriundo da primeira metade do século 20 e reúne características de filosofia e religião. O esporte prioriza não apenas a aplicação tática ou o condicionamento físico; embora sejam atributos importantes, a arte encaminha o praticante para o desenvolvimento espiritual. Seu Yoge é testemunha disso. “Eu vejo valores como a educação e o respeito ao próximo muito fortes no aikidô. Há um laço espiritual grande. Vejo os meninos que estão crescendo aqui, verdadeiros samurais, comprometidos com a formação”, contou.

Os meninos aos quais seu Yoge se refere são alunos da Escola Aiki Kaizen, em Piracicaba. A academia, ou dojo, como é chamado o local, é referência internacional na arte. Fundada em 2005 por Roney Rodrigues Filho e Luciano Van den Broek, a escola está instalada em um terreno de 600 metros quadrados e reúne as estruturas ideais para a prática do esporte. Atualmente, cerca de 150 aikidocas treinam lá de segunda-feira a sábado. Seu Yoge é um deles. “Eu treino duas vezes por semana. Vou sempre que posso. Eu estou com 81 anos, não tem idade para praticar. O aikidô é uma filosofia de vida para mim”, resumiu.

PARTICULARIDADE

Você provavelmente nunca ouviu o anúncio de alguma luta de aikidô na televisão. E nem vai ouvir. Diferente de artes marciais, o aikidô não tem competições. No entendimento dos fundadores do esporte, a preocupação com o bem-estar do próximo é essencial. “O maior adversário que alguém pode ter é ele mesmo, o mestre Ueshiba ensina que a nossa grande luta é contra nós mesmos. E nós temos cuidado com o próximo, porque quando treinamos, nós emprestamos o corpo do outro para treinar”, afirmou seu Yoge.

Apesar do caráter não competitivo, engana-se que pensa que o aikidô não é um esporte de força – a modalidade trabalha com movimentos de ataque que podem, inclusive, ser mortais, além de utilizar técnicas de contusões, torções e equipamentos como bastão e espada. Nada, porém, capaz de desviar os princípios da arte. “O mais importante no aikidô é o respeito, a maneira de enxergar a vida e o papel que nós temos. Dar o exemplo, viver os valores e seguir os ensinamentos é algo que transforma a vida”, completou seu Yoge, antes de partir para mais um treino.

Yoge Komatsu, atleta de aikidô da Escola Aiki Kaizen Piracicaba

Yoge Komatsu, durante treino na Escola Aiki Kaizen, em Piracicaba (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

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