Opinião

Além do 4×1

De 2012 para cá, quando voltou ao Paulistão após quase duas décadas de ausência, o XV de Piracicaba sofreu quatro gols só duas vezes: 4×2 para o Mogi Mirim, fora de casa, em 2013; 4×1 para o Palmeiras, quinta-feira, em Piracicaba. Antes disso, só em 11 de junho de 1995: Santos 4×0, na Vila Belmiro, resultado que selou o rebaixamento do XV para a Série A2. Os números são apenas do Paulistão. Somadas todas as competições, o XV sofreu quatro gols pela última vez no dia 21 de setembro de 2014: 4×2 para o Rio Branco no Barão da Serra Negra, pela Copa Paulista. Na mesma Copa Paulista, o XV perdeu por 4×1 do Audax em Osasco (2013), 4×1 do Red Bull em Campinas (2011), 4×1 do Paulista em casa e 5×0 do Linense fora (2010).

O levantamento aponta sete goleadas sofridas pelo XV de Piracicaba nos últimos sete anos – três como mandante -, ou seja, não algo é fora do comum. Como também não é ‘anormal’ perder pontos para os clubes considerados grandes. Por que então a onda de pessimismo desatada após os 4×1 aplicados pelo Palmeiras? Porque há uma análise bastante mais profunda do que apenas os números – independente dos erros de arbitragem que, sim, prejudicaram o XV.

O pessimismo se justifica pelos erros infantis do então seguro Fábio Sanches ou pela passividade de Magal, volante que ninguém entende a cadeira cativa que tem no time – e menos ainda a faixa de capitão que usa no braço. E vai além da derrota para o Palmeiras. O sentimento de frustração é sustentado pela coleção de fracassos no projeto Série D do Brasileiro, façanha já alcançada por equipes bastante menos estruturadas que o próprio XV – quer melhor exemplo que o Oeste da pequenina Itápolis?

O pessimismo vira revolta quando o quinzista vê o vice-presidente do clube – que também é responsável pelo único departamento que não evolui no XV, o futebol – vai ao estádio Barão da Serra Negra com a camisa de outro time – curiosamente, o Palmeiras! Achou ruim? Então você faz parte da meia dúzia de bandidos que não coloca dinheiro no XV, como faz Renato Bonfíglio. Não é o colunista que diz; foi o próprio cartola que disse em alto tom. O que o colunista diz e pensa é o seguinte: Renato Bonfíglio, hoje, é o ‘proprietário’ do clube. Faz o que quer e quando quer. Escrevo mais claro para evitar tentativas de interpretação: Renato não é desonesto; Renato é despreparado.

“E a imprensa? É fácil criticar agora! Não era o melhor elenco do XV?” Sim, no papel, é o mais forte desde o acesso em 2012. E quem foi que disse que futebol é ciência exata? Veja o que está acontecendo na Inglaterra: quem é que apontou o Leicester, time com o menor orçamento da Premier League, como candidato ao título. Não entendeu? Clique aqui para entender. A imprensa tem o dever de informar corretamente, mas a opinião é e sempre estará sujeita a equívocos, pois assim é o futebol. E quer outra opinião? O XV tem total condição de vencer em São Bernardo do Campo. E, caso embale e ganhe da Ponte Preta também, o pessimismo vai se transformar em otimismo. Mesmo que com um pé atrás.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

Início