Opinião

A maestria do trabalho no tatame

EDITORIAL

O resultado de Hernani Veríssimo no Campeonato Pan-americano de karatê não é produto do acaso sob qualquer hipótese. A medalha de ouro contra o americano Thomas Scott, líder do ranking mundial, começou a ser forjada por Otávio Spigolon, cujo ideal foi potencializado com extrema capacidade pelo legatário, Diego Spigolon, treinador da seleção brasileira. A marca registrada do trabalho desenvolvido vai além do tatame; há apreço pelo respeito, princípio que deveria ser alimentado por qualquer técnico-regente de uma orquestra marcial.

A coerência é a virtude flagrante da obra retocada por Diego Spigolon. Basta ver a linha de conduta de todos os atletas de ponta que saíram da Sport Way, fábrica de talentos trajados de quimono e de nível inconteste. O talento individual está intimamente ligado ao compromisso. O discurso, alinhado, não se deixa levar pelos sabores da glória. Hernani Veríssimo não elevou o tom de voz ao superar com ampla margem o principal atleta do mundo; justificou a conquista ao trabalho – diário e sério, como deveria ser a regra para qualquer esportista.

Hernani Veríssimo é produto da mesma safra que apresentou ao mundo Natalia Brozulatto. Há importantes características que confundem as duas histórias: dedicação, humildade e gana de superar os limites do próprio corpo. Não são, eles, as jóias da coroa; em Piracicaba, o karatê está repleto de talento substancial. Na arte em que cada segundo é decisivo, há uma tênue linha que separa vitoriosos e derrotados dentro do tatame. Mas, fora da área de combate, o que faz a diferença é a lucidez de conduta – algo que Diego Spigolon exerce com maestria.

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