Opinião

A hora de Clayton

Magal foi expulso contra o Água Santa; cumpre suspensão ante o Mogi Mirim. Adriano Ferreira está lesionado. Desfalca o time pelos próximos 30 dias, aproximadamente. Claudinho Batista tem três opções: mexer na estrutura da equipe, improvisar ou optar pela lógica. Criterioso que é, o técnico do XV de Piracicaba não deve inventar. Assim sendo, Clayton será titular no meio-campo pela primeira vez no Paulistão. A chance veio após uma fratura no nariz, na abertura da pré-temporada. Recuperado, o volante sabe que o jogo em Mogi Mirim não será mais um qualquer. Pode, inclusive, ser um divisor de águas.

Mogi Mirim e XV de Piracicaba ainda não venceram; precisam ganhar a qualquer custo. Na entrevista pré-jogo, Claudinho foi sincero outra vez – como sempre. Sabe o treinador que precisa de três pontos no belo e escuro Estádio Vail Chaves. Claudinho manifestou ainda que a vitória é importante para sustentá-lo no cargo. Dá para dizer que a afirmação se aplica a Clayton,  em escala semelhante. Por quê? Porque pode ser a última oportunidade do volante deixar de lado o rótulo de “jogador para elenco” e se transformar, de fato, em peça imprescindível.

Clayton foi revelado no XV. Fez parte da geração sub-20 que, em 2007, chegou ao vice-campeonato estadual. Bem como a maior parte daquela safra, deixou o clube e começou a rodar – e como rodou! Noroeste, Caxias-RS, Barretos… XV de Piracicaba outra vez, em 2012. No ano seguinte, deixou excelente impressão contra a Ponte Preta, mesmo improvisado na lateral direita. Foi fundamental para o empate em 2×2. Mas não decolou. Desde então, virou jogador de grupo; cumpre bem as obrigações táticas, supre carências do elenco devido à polivalência. Mas não tem sequência. E quando teve, com Roque Júnior, foi sobrecarregado por um sistema que nunca funcionou.

Clayton tem 27 anos. Não dá para ser promessa com essa idade. Para ele,  a hora é agora. Dá para ver isso nos treinos. Com o nariz recém-operado, “enfia o pé”, como se diz na linguagem dos boleiros, sem nenhuma restrição. A disposição dele impressiona até o treinador, como o próprio Claudinho disse dias atrás, em conversa de bastidores após uma entrevista coletiva. Há ainda outro fator interessante: Clayton é piracicabano e é quinzista. Sabe que o momento dele é também o momento do clube.

Afirmo sem qualquer dúvida: se nada estranho acontecer, Clayton vai encarar o jogo como uma guerra em que a palavra “derrota” está fora de cogitação. É o que se espera também dos outros dez jogadores que vestirão branco e preto contra o Mogi Mirim. Melhor caminho para vencer não existe.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

Início