Opinião

A excelência do NAR

O NAR-SP (Núcleo de Alto Rendimento) é um lugar único no Brasil. O centro prega excelência em todos os sentidos da palavra. Desde o processo de seleção, comecei a entender que havia algo diferente. Lá, fiz minha terceira pós-graduação – Metodologia do Treinamento para o Esporte de Alto Rendimento. Depois de fazer a inscrição e enviar currículo desde a formação acadêmica à prática profissional, recebi dez artigos para estudar, nove deles em inglês, antes de participar da prova – questões dissertativas de alto nível.

A carreira profissional, muitas vezes, não nos permite estudar como deveríamos para atualizar os conhecimentos. Me recordo que saí com a cabeça pesada da prova, de tanto pensar. Eu voltei apreensivo para casa. Depois disso, fui comunicado que passaria pelo processo de entrevista pessoal e o professor Cesar Cavinato, coordenador, perguntou tudo – como tinha chegado à seleção brasileira, minha rotina diária. Fui questionado sobre o nível de comprometimento que teria com o curso. Eles não querem quem não esteja disposto a estudar. Não querem tirar o lugar de alguém que quer ganhar conhecimento.

Eu estava empolgado e decidido a abdicar de competições menos importantes, embora não tivesse como dizer não aos compromissos com a seleção brasileira. Afinal, não era um curso de pós-graduação comum. Os caras que estavam ao meu lado são pessoas cuja atuação profissional é referência, donos de currículos com grande bagagem. O nível de questionamento entre os alunos foi elevado; a cada aula, recebíamos questionário e ementa para que pudéssemos estudar antes. Chegávamos às aulas municiados de informação.

Pelo NAR passaram professores que estavam inseridos dentro de confederações nacionais, ligados ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Em todas as aulas, o coordenador esteve presente. Questionava, inclusive, os professores. Isso soma muito. As aulas, sempre aos sábados, começavam e terminavam pontualmente. Ninguém saía antes do final. O comprometimento impressionava. Tinha gente de outros Estados que viajava para estar lá. A excelência acontecia desde a chamada.

O NAR é um lugar que consegue aliar prática à ciência, idealizado pelo professor Irineu Loturco. Tudo que existe de mais moderno e atual na ciência do treinamento está lá. Particularmente, vi quebrados muitos paradigmas; metodologias foram ultrapassadas. Isso contribuiu e vai continuar contribuindo para definir o treinamento que vamos empregar aqui. Tudo será criterioso. Participar da primeira turma do NAR é algo que me deixou orgulho – e espero transmitir o conhecimento que adquiri em minha rotina de trabalho.

Diego Spigolon é técnico de Piracicaba e da seleção brasileira de karatê

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